Começar tudo outra vez
Lendo sobre a morte do artista plástico chileno Jorge Selarón, inevitavelmente, me teletransportei para o tempo em que fui morador de Santa Teresa. Selarón, cujo sobrenome era Morales, veio para cá em 90 e escolheu aquele bairro para morar e deixar sua obra impregnada, eternizada ali, como a famosa escadaria de azulejos que nos leva até o convento. E eu me vejo novamente lá, em uma das minhas quase diárias caminhadas noturnas com minha cockerzinha preta. Vou subindo a Joaquim Murtinho, as luzinhas da cidade lá embaixo, o relógio da Central, o Cristo Redentor. Chego ao Largo do Curvelo. O bonde, ainda apinhado de gente e conduzido pelo motorneiro Nelson, vai passando. Alguns conhecidos me cumprimentam, minha vizinha Goretti vai apressada do outro lado da rua com seu labrador Fred, mas Milla segue sem ligar para ele. Escuto os sons que vêm dos sobrados, os televisores quase todos sintonizados no mesmo canal. Vou pensando muitas coisas: um show cansativo no SESC, uma convers...