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Mar de papel

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(Beto Caratori - Patrick Angello) Palavras, palavras que eu escrevia Palavras desfiz, passionais As frases confusas, tão pobres palavras Desenhos em giz irreais Risquei cada folha do bloco de almaço Lembrando o mormaço dos olhos e o fel Do imenso vazio sem aquele abraço Depois do cansaço, nublou-se o meu céu Palavras, palavras que eu escrevia Palavras desfiz, passionais As frases confusas, tão pobres palavras Desenhos em giz e um mar de papel Se fez de bilhetes, gritantes palavras Caíram amassadas, eu a naufragar Buscando nas linhas, frases salva-vidas Insanos pedidos pra você voltar.

Violão na madrugada

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(Patrick Angello – Beto Caratori) Outra madrugada e eu a vagar Como errante, dedilho o violão Como é que eu fui ferir Alguém a quem jurei minha afeição Tão suplicante, carente, sofredor Que te pede agora, pelo menos, Uma consideração, por favor, Um pouquinho de carinho e o teu perdão Não posso compreender, tento explicar Sei que isso não tem explicação Insensatez sim É incontrolável a minha obsessão Oh, não desfaças assim de um sofredor Só te peço agora, tão somente, Uma consideração, por favor, Escute o que lhe canto atentamente Sei que a muito ando errado O que te fiz, errei, perdi a razão Meu jeito de amar, há um detalhe tão delicado Pois luto contra a inquietação Dizem que um apaixonado Nutre ciúmes, brigas são normais Mas chegar assim aonde eu cheguei, foi demais Minha flor, sei que és livre Juro, não faço mais Não, não conte a ninguém o que se deu Descaminhos de um pobre coração Como é que eu fui ferir Alguém a quem jurei minha afeição Oh, não desfaças assim de um sofredor ...

Não vai passar

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(Beto Caratori e Patrick Angello) Era uma clara manhã Um realejo, a canção Uma valsa de amor Um cigano cantor Alguém que passou Profetizava que a vida Corre tão depressa É um trem que não pára E eu a esperar Por uma eternidade A minha ansiedade adolescente Tão premente a paixão Mas a felicidade quis ali deixar E sumistes na estação Pra nunca mais voltar Ao lembrar o realejo Naquela pracinha Lá do interior Onde a valsa de amor Nos embalou Senti de novo o desejo E aquele teu beijo A menta que queimava ao gelar Os dois enamorados Tão donos do mundo Plenos de esperança E inquietação Mas tu, tão de repente Deixou-te levar Por uma tola ilusão Por Deus, eu não queria Que essa nossa estória Terminasse assim Se ao menos tu soubesses O quanto dói a dor em mim Os dias vêm, as noites vão, A chuva cai Vai passar, vai passar Tudo agora vai passar Passam os realejos Passam os cantores marginais Nossa juventude O tempo de desejo Já ficou pra trás Muros, mundos vão cair Mais profetas vão chegar Ou...

Menina chique

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(Beto Caratori – Patrick Angello) Essa menina bota fogo na favela Não dá mole, não dá trela Nada ali lhe satisfaz Desce do morro tão cheirosa Vestidinho, bustiê apertadinho Igual modelo de cartaz Durante o dia é atendente de butique Mas a noite banca a chique Diz que mora no Flamengo Vai ao cinema, à boate, ao baile funk Mas a vida fica punk quando volta a Realengo Essa menina dança samba e hip-hop Sandalinha, saia, top Gasta todo seu vintém Fim de semana, praia de Copacabana Com vizinha suburbana Ela é completamente nem Na minha idade quis bancar o magnata E lhe dei brincos de prata Jóias caras, muito mais Mas na verdade, Ela é feliz com o anel de lata Bijuteria barata Que lhe deu outro rapaz Essa neguinha não quer se casar comigo Não faz fé no que eu digo Minha vida não lhe apraz Ela me disse, dia-a-dia é tormento Escravidão é casamento E essa vida é tão fugaz Dona Teresa em coro com a vi...

A palavra-chave

( Beto Caratori) Não lembre esta mulher fingida Beleza, riso enganador Que fez o que fez da minha vida Natureza de ser traidor Feriu, zombou dos meus carinhos Como toda flor do malmequer Deixando-me só seus espinhos Vestígios de afeto sequer Quedei-me tão enamorado Que me custa tudo lembrar Prefiro esquecer o passado Não quero mais dela falar Mas se quer mesmo, enfim, saber Ela um dia foi me procurar Sorrindo, disse palavras Tão lindas, pra me agradar Detalhes de tolos amores A rosa, por fim, me contou Inúmeros seus dissabores Saudosa, ela de mim chorou Pediu que lhe desse abraços Por dentro, eu ardia um inferno Sequer estendi-lhe meus braços Jurou seu amor eterno Mil coisas lindas ela disse Verdades tão fora de hora E antes que eu sucumbisse Pedi-lhe que fosse embora Diante daquele entrave Partiu, para não mais voltar Perdão era a palavra-chave Que não ousou pronunciar.

Voz do coração

(Beto Caratori - Kadu Mauad) Não precisa chorar, Mas aceita essa sugestão De alguém que conselhos pediu Sem ligar pra voz do coração Coração é espelho da alma E reflete a dor que ninguém viu Sentimentos, langores ou trauma De um amor que um dia existiu Tente ouvir a canção de capela Sufocando em seu lado direito Ao lembrar da tal flor de lapela Que enfeitara o seu próprio peito Se uma pétala houver dessa flor Que ainda acenda a paixão Esqueça a marca invisível da dor Dê ouvidos ao seu coração Mas se tal sentimento ferino Resistir, só ficar cicatriz Não deixe turvar o destino Não permita criar-se raiz Só faz mal, causa erisipela Faz da vida tolo dramalhão Faz a reza perder-se da vela Da conta última de oração Mas se quer, se precisa chorar Chore tudo, esqueça a razão E depois que seu pranto amainar Lembre, aceita essa sugestão De um amigo que agora lhe diz Conselheiro, também sofredor, Se você quer mesmo ser feliz Esqueça tudo e arranje outro amor.

Vó Anita

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(Beto Caratori) Oh, vizinha Sossega esse facho Porque eu agora Não posso brincar Irmãzinha Tá levando o tacho Porque nossa avó Vai querer cozinhar Vó Anita, faz bolo pra gente! Vó Anita, o que vai preparar? Olha o forno, Parece estar quente Esse cheiro é um bolo Parece fubá Nossa avó é grande quituteira Não tem batedeira Faz tudo na mão Nossa tia tentou aprender Mas vovó manda ver Vai na intuição A mamãe já notou que a gente Na casa da vó Bem que vai engordando O papai nunca pode saber Que a vovó ainda teima Ainda está cozinhando Açúcar, manteiga, farinha, Fermento, Baunilha, Ovos e cacau Laranja, é leite de coco, Ameixa, damasco, Canjica, curau Mingau, tanta coisa, meu Deus, A mistura é magia É um show de merenda Pudim, brigadeiro, quindim, Cem olhinhos de sogra Aumentou a encomenda É casamento Prá chá de senhora Até sepultamento Lá em Juiz de Fora Pra adoçar boca De homem casado Menina solteira Prender namorado Vó Anita vai cozinhando E a gente correndo Em volta da mesa A alegria aqu...